Educação para as relações étnico-raciais e cibercultura: o que têm a ver?
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| Fonte: Alyssa Sieb/Nappy. |
Neste semestre, tenho a oportunidade de cursar a disciplina Informática em Educação,
ministrada pelo tutor Leonardo Nascimento, no curso de Pedagogia da
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, tem sido uma excelente fonte
para o aprofundamento de meus conhecimentos digitais. Tenho aprendido que mais
do que saber decodificar as ferramentas de computadores e celulares, vale
pensar criticamente as formas como a comunicação em rede reconfigura, como
afirma o
professor André Lemos, as relações sociais.
Tendo isso em vista, escolho realizar
brevemente um debate sobre como a disciplina
Informática e Educação contribuiu para minha reflexão sobre a relação
entre a Educação para as relações étnico-raciais e a cibercultura. Decidi por
desbravar dois conceitos: o de cibercultura e o de letramento digital.
Em razão do racismo estrutural, a
escola, quando não comprometida com o antirracismo, ainda pode ser um espaço de
hostilidade para crianças negras. Pensando a cibercultura pela perspectiva do
professor André Lemos, que destaca a possibilidade de autoria presente no
universo digital, a internet pode ser um espaço de democratização de ideias e
vozes.
Cibercultura, letramento digital e
Educação para as relações étnico-raciais
Onde estão os personagens históricos
afro-brasileiros e indígenas que colaboraram na constituição do Brasil? Que
espaço essas pessoas recebem nos livros didáticos e nas aulas ministradas na
Educação Básica? Temos lugar no tempo presente?
Certamente, as possibilidades da
cibercultura não encerram a questão. Mas contribuem para que a autoria seja
compartilhada entre alunos e professores, e dessa maneira, não sejamos apenas receptores
das narrativas tradicionais da História, que tendem a silenciar grupos
minorizados. É na cibercultura, ao possibilitar a criação de redes, identidade
e autoria, que podemos reverberar nossa existência e nossa relevância.
Mas, como nem tudo são flores, sem o
tal letramento digital, é difícil construir boas ideias em rede. Por
isso, a formação continuada para professores da Educação Básica, e as próprias
licenciaturas, precisam estar atentas à formação de docentes autônomos no
universo digital. O que pensamos aqui não é democratizar apenas as vozes na
Internet, mas possibilitar que professores e alunos dominem as ferramentas que
possibilitem que suas vozes alcancem o mundo digital.
Esse compromisso atravessa a Educação
para as relações étnico-raciais no sentido possibilitar que os debates em sala
de aula ultrapassem os silenciamentos do livro didático. Convida, então,
professores e estudantes em suas autonomia e autoria, a refletir, criar e
propor à sociedade práticas de ampliação do repertório sobre antirracismo, além
de interagir com demais pessoas engajadas nesses práticas.
Pensando na relevância dessas reflexões, compartilhamos 5 projetos que inspiram o debate sobre as relações étnico-raciais na cibercultura e podem colaborar na reflexão e prática de professores da Educação Básica:
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| Fonte: Alyssa Sieb/Nappy. |
O “Tem cor no ensino” é idealizado
pela mestranda em História Keilla Vila Flor Santos, 25, pela bacharel em
direito e licencianda em Geografia Nonny Gomes, 32, pelo geógrafo e educador
Vinícius Machado, 24.
O projeto visa manter e propagar debates
sobre ancestralidade e história do povo negro, indígena e amarelo.
Texto retirado do perfil de Instagram
do coletivo: @temcornoensino.
Produzido por mulheres capixabas,
Vivi, Maga e Tay, o perfil compartilha reflexões sobre a população
afro-brasileira e indígena, no campo da Educação.
Produzido por um coletivo
interdisciplinar de jovens negros, discutem em seu perfil esporte, cultura e
política no continente africano.
4- Calunguinha, o
contador de histórias
Nesse podcast, o menino Calunguinha,
“pretinho como sua mãe e crespinho como seu avô”, embarca em aventuras pela
história afro-brasileira quando o livro mágico de histórias de sua mãe ganha
vida. Disponível no Spotify.
Produzido por intelectuais negros,
discutem a cada episódio questões relevantes na História da população
afro-brasileira. Disponível nas principais plataformas de áudio, como Spotify
e YouTube.


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